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Análise: Estudo da Strategy Analytics aponta como que o rádio pode manter a sua relevância em automóveis conectados
Terça, 09 de Julho de 2019

Análise: Estudo da Strategy Analytics aponta como que o rádio pode manter a sua relevância em automóveis conectados

Avanço de sistemas multimídias conectados com Apple CarPlay e Android Auto gera oportunidades para que o rádio aproveite esse ambiente mais conectado nos automóveis

A primeira impressão, quando o mercado vê avanços de sistemas multimídias conectados em automóveis, é de preocupação com uma possível queda na relevância do rádio AM e FM nesses ambientes. Porém, um estudo realizado pela empresa norte-americana Strategy Analytics, concluí que as emissoras de rádio tem uma importante oportunidade de manter a sua força em automóveis, mesmo com o avanço de sistemas conectados como o CarPlay da Apple e o Android Auto. A manutenção dessa relevância passa pelo streaming.

Edward Sanchez, analista sênior da Automotive for Strategy Analytics, acredita que as emissoras, que há muito tempo dominavam o carro, têm a oportunidade de manter a vantagem a roda.

"O rádio de transmissão tinha a vantagem de estar ligado automaticamente assim que as pessoas ligassem o carro", diz Sanchez. "Mas, à medida que a conectividade de dispositivos integrada se torna mais e mais transparente, e como OEMs oferecem conectividade embutida e suporte para serviços de streaming, os provedores de rádio estabelecidos terão que continuar inovando e aprimorando sua proposta de valor na mente dos consumidores para permanecerem competitivos".

O estudo da Strategy Analytics informa que os smartphones acostumaram o público a "esperar múltiplas opções de entretenimento e áudio na ponta dos dedos". O levantamento afirma que atualizações dos sistemas multimídia que passam a embarcar sistemas como CarPlay da Apple e o Android Auto (e futuramente o Android Automotive OS, sendo o sistema operacional do próprio Multimidia do automóvel) tendem ampliar essa nova forma de consumo de áudio e entretenimento em veículos.

O diretor de entretenimento e telemática automotiva da empresa de pesquisa, Richard Robinson, ouvido pelo portal norte-americano Inside Radio, observa que, como resultado, "a própria definição de 'rádio básico' está sendo reescrita para incluir provisões para receptores digitais, projeção de smartphones e streaming de Bluetooth. Estes costumavam ser opções premium. Agora, eles são esperados em modelos e modelos ainda mais baratos".

Apesar do estudo ser relacionado ao mercado norte-americano, na prática é possível perceber o avanço desses sistemas no Brasil, onde modelos de entrada de diferentes montadoras já contam com os sistemas CarPlay e Android Auto embarcados. Conforme a conexão com a rede de dados móvel melhore, a tendência é de que esse uso do Multimidia seja ampliado também em solo brasileiro.

Como o rádio pode aproveitar esse momento?

É inegável que a recepção FM e AM em automóveis siga como principal forma de se consumir áudio em veículos nos Estados Unidos e também por aqui, no Brasil. Isso é baseado em uma série de pesquisas realizadas dentro desse campo de consumo, que apontam a manutenção dessa relevância. Porém, o estudo chama a atenção para a necessidade de se adaptar há uma possível realidade futura de consumo de mídia mais fragmentada.

Ao Inside Radio, Sanchez enfatiza: "Manter essa atitude e abordagem empreendedora e fragmentada é mais importante do que nunca. Se você não considera os concorrentes SiriusXM, Pandora ou Spotify, você está enganando a si mesmo". Em vez de uma mentalidade de "nós contra eles", Sanchez acredita que produtores de conteúdo (emissoras de rádio) "devem a si mesmos uma abordagem aberta a parcerias e plataformas", seja uma pequena estação independente ou uma de propriedade de uma conglomerado corporativo.

Para Sanchez, são várias as ações que podem ser tomadas pelas rádios desde já, como começar pelo "balanceamento de publicidade e programação. Um dos maiores fatores no crescimento do rádio via satélite, bem como no podcasting, é a publicidade menos intrusiva, ou, no caso do satélite, a publicidade. Pagar as contas é um fato da vida, e a publicidade é a chave para manter a programação 'livre' ". Mas é essencial que a publicidade "não sobrecarregue a quantidade ou a qualidade do conteúdo".

Em segundo lugar, os ativos, além do tradicional over-the-air, diz ele. "Se você tiver um parceiro de canal alternativo, como o app iHeartRadio, Radio.com , TuneIn ou Apple Podcasts (nota: exemplos norte-americanos e, no caso do Brasil, TuneIn, o próprio tudoradio.com e outros indexadores profissionais entram na lista) verifique se os ouvintes estão cientes desses canais de conteúdo alternativos, bem como de qualquer conteúdo digital exclusivo. Se você ainda não tem um parceiro nessa área, entre em contato, ou se for viável, procure criar uma solução interna para canais alternativos". Assim, "a promoção cruzada de seus canais alternativos no ar é essencial para melhorar a conscientização e a descoberta. Não se ofenda com isso; Divirta-se e provoque o seu público com algumas exclusividades on-line, ou o fato de que os podcasts não são censurados, se for um programa mais provocante e ousado. Conheça seu público e o que agrada a ele e aproveite os canais de conteúdo alternativo para sua vantagem", afirma Sanchez.

Comandos de Voz para sintonizar via aplicativos ou pelo RDS

O executivo também chama a atenção para a necessidade dos sistemas estarem adaptados aos comandos de voz, visando a inteligência artificial que já está embarcada nos veículos através das plataformas da Apple, Android (Google) e, de forma mais clara nos Estados Unidos, a Alexa da Amazon. "Qualquer tipo de estratégia de reconhecimento de voz deve incluir e incorporar o Alexa. À medida que o Alexa se torna mais onipresente em casa - e no carro - os consumidores esperam cada vez mais que o sistema de infoentretenimento inclua automaticamente o recurso, seja incorporado ou suportado como um recurso de projeção de smartphone".

Vale lembrar que, no Brasil, além dos sistemas de comando de voz originados pelas plataformas conectadas, existe também o ambiente do próprio automóvel. Vários modelos contam com comando de voz que fazem sintonizar estações de rádio em AM e FM (sem a necessidade de streaming). Mas para que isso seja funcional (não apenas no comando de "sintonizar a frequência X"), é necessário que a estação esteja com seu sistema RDS devidamente configurado.

Sistemas de Midia automotivos de montadoras como Volkswagen e Ford, por exemplo, já oferecem a busca por voz de AMs e FMs por nome da estação ou formato de programação. Mas para que isso funcione corretamente, a rádio necessita configurar seu sistema de RDS.

Com informações da Strategy Analytics e Inside Radio

Fonte: Tudo Rádio
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